Era uma quinta-feira dessas nubladas, quando muita gente prefere nem sair de casa. Do outro lado da rua, de dentro do seu carro parado no semáforo, ela o viu: descontraído, numa camisa escura sem mangas, deixando as várias tatuagens amostra. Em uma das mãos, um cigarro. A outra mão, grande como ela gostava, gesticulava com quem estava à frente.Dobrou a primeira esquina e estacionou no primeiro local permitido que encontrou. Foi quase correndo e só desacelerou quando entrava no quarteirão do alvo. Ele não estava mais lá. Ela andou até a o local, uma espécie de barbearia que fora adaptada para muitos outros serviços e teve tempo de observá-lo conversando com uma cliente. Parecia mais alto do que ela e o corpo convidativo a suas fantasias recém adquiridas. 
-Pois não? Falou o recepcionista. - -Queria ver um horário pra tatuagem com o.. _ mas ela se deu conta que não sabia o nome e olhou envergonhada para o recepcionista, que disse dois nomes, apontado para o objeto de desejo dela ali ao lado. 
_ Esse mesmo_ ela confirmou. Uma amiga fez aqui recentemente e me indicou_ ela mentiu. 
O recepcionista fez pouco caso e avisou que só dali a 20 dias. Ela pensou em desistir, mas olhando para o sorriso dele pelo reflexo do vidro de uma divisória, decidiu deixar marcado. 
Vinte dias mais tarde, depois de acumular fantasias e gozos solitários pensando no tatuador, lá estava ela, pontual. Como por capricho do destino, que pode bancar boas e ruins preliminares, ele atrasou. Quando ela se levantava para sair, ele apareceu, pedindo mil desculpas. Entraram na sala reservada às artes dele. Falaram do tempo enquanto ela lhe entregava o desenho. 
_Essa flor de lótus, não muito grande, aqui no cóccix_ ao dizer isso, se virou e mostrou, por cima da roupa, o local exato em que queria ser tatuada. 
Virou-se novamente, em tempo de flagrar a expressão atordoada dele. Sorriu maliciosamente quando ele pediu para que ela se deitasse na maca, abaixasse um pouco o shorts e levantasse um pouco a blusa. 
_ Aqui é a base da flor?_ confirmou ele colocando a mão no local destampado. 
_Não, não....aqui ó_ corrigiu ela pegando a mão dele e colocando exatamente onde deveria iniciar o desenho.
Enquanto ele fazia o desenho, ela se divertiu acompanhando todos os movimentos dele pelo espelho. A testa dele suava tanto, que ela se divertiu com a ideia de se imaginar oferecendo sua calcinha para enxugar-lhe a testa. Calcinha essa que, bem reparou ela, o deixou surpreso no instante em que ela tinha abaixado o cumprimento exato do shorts_ deixando só uns centímetros do contraste da lingerie com a cor de sua bunda aparentes. 
Falaram do tempo, de tatuagens, de jornal, de meme, de relacionamento. Num espaço tão curto de tempo e com nenhuma intenção de levar qualquer papo adiante. 
Silêncio. Tem tesão que a gente percebe que gasta logo, mas aquele ali era do tipo tesão mais quente, cada faísca provocava um novo incêndio. Olhando pra ele pelo espelho, esperou paciente que ele cobrisse a primeira fase do desenho. Quando ele terminou de grudar a película de pvc sobre o desenho, ela segurou em seu braço. Ainda de bruços, arrebitou um pouco mais o bumbum e tirou a camisinha do bolso. Sentou de frente pra ele e levou a pontinha da embalagem até os dentes, sem abrir, aguardando um incentivo.
..
Algumas horas depois, chega a primeira mensagem no celular dela:

“Mal trabalhei pensando na sua bunda. Quase tatuei ela nos clientes. Pergunto pra quando eu marco a próxima sessão ou quando a gente se pega outra vez?”

TEM TESÃO QUE DE CADA FAÍSCA SURGE UM NOVO INCÊNDIO.