QUE SAUDADE DE SENTIR AQUELE TESÃO

(Gustavo Lima)

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Que saudade de sentir aquele tesão.

 

Acho que todo mundo gosta de uma putaria. É gostoso, demais. Cada nome, uma curiosidade, cada beijo, um sentimento, cada toque, um arrepio, cada cheiro, uma surpresa. Meu Deus! São tantas pessoas, porque não provar todas? Uma mais gostosa que a outra, quero um pouco de cada, que surpresas me aguardam? Infelizmente essa alegria se desfez com uma mínima reflexão. Pouco exercício mental me mostrou que é sempre mais do mesmo, "só sexo". Estou usando ou sendo usado? Vivia noites quentes, gostosas, mas para quê? Onde eu chegaria com isso?

 

Tudo realmente mudou quando ela apareceu... aquela pessoa que me fez começar a enxergar algum significado em tudo isso, alguém que realmente dava um sentido a pegação, as noites em claro, fez cada gozada ser especial, aquela que eu apenas lembrava e caia em uma montanha russa de sentimentos: tesão, saudade, medo, felicidade e, principalmente, confiança. Sentimentos que davam rumo ao que se perdia, sensações que encontravam explicações para algumas questões que até então eu nunca havia pensado. Talvez eu tivesse encontrado minha agulha no palheiro, depois de tanto tempo, mesmo sem compromisso nenhum, eu via uma amiga, uma companheira, ela me entendia e eu entendia ela, que momento incrível.

 

Até que ela se foi, simplesmente... o tesão se esvaía, comunicação já não estava tão clara, ela apenas quis partir, de uma hora para outra... o companheirismo também já não sei se era o mesmo. Agora me vejo aqui de novo, voltando ao contexto inicial, que gostoso, posso me envolver com várias pessoas. Mas acabo caindo sempre no vazio que existe dentro de mim, questionando o real motivo para isso tudo. Não tenho muitas certezas nessa vida louca, mas uma certeza é de que ela era uma pessoa que valeria a pena tentar preencher esse vazio. Talvez não agora, nem a curto prazo. Porque não apenas afogar todo o tesão que sentíamos, enquanto o tempo trabalhava com o resto? Mas não, ela apenas se foi. Um outro momento talvez? Talvez não tenha as mesmas percepções que eu tenho acerca das relações superficiais que imperam no mundo moderno, talvez ela não veja a liquidez dos encontros casuais e, no fim, eu acabei sendo um estorvo para aquele momento dela? Não sei...

 

Mas ainda tenho saudades de sentir aquele tesão todos os dias, e arrancar ele em noites cada vez mais surpreendentes e encantadoras. Realmente, ela dava sentido até para essa putaria, a verdadeira putaria, com significado, com intensidade. Paixão, romance? O tempo diria se déssemos uma chance a ele. Não deixamos o destino querer ou não a gente gozando junto para sempre. Resta agora tentar esquecer aquela maldita sentada, que provavelmente ninguém fará igual, mas quem sabe agora eu não acho expertises em outros aspectos? Será que dessa vez minha agulha de verdade? Palpites? Dou-lhe uma, dou-lhe duas...