PLANTÃO

Com um beijo casto em minha bochecha suada ela se levanta. Caminha nua em direção ao banheiro, enquanto me conta sobre o dia que vai desbravar após o banho. A água do chuveiro corre pelo corpo dela com a mesma ansiedade que minha língua o fez, há uma hora atrás. Ouço o som da sua voz, e digo a mim mesma "escute o que ela diz", mas é em vão. As lembranças da noite que vivemos incendeiam meu corpo. Eu quero desesperadamente vê-la se contorcer outra vez.

Ouvi-la gemer alto e me segurar pelos cabelos enquanto meus dedos deslizam pra dentro dela. Quero que ela me ame no chão, na cama, na mesa, em mim.
Enquanto ela se veste, já estou molhada outra vez. Ela olha pra mim, depois de uma pausa em sua narrativa completamente ignorada pela minha mente promíscua, e entende. Caminha até mim com um sorriso cúmplice do meu desejo, engatinha pela cama com aquele olhar que eu tanto anseio e desliza sua língua quente pela minha boca.
Não consigo conter um gemido. Com as mãos na minha nuca ela cola seu corpo ao meu e, com meu lábio entre os dentes, sussurra: eu quero mais. Me espera, eu volto! E se foi.
12 horas. 1 plantão.
Lembro-me de um dos seus pacientes dizendo "a senhora tem mãos de fada, enfermeira".
Sorrio. Aguardo.
Faltam 11h, 19min e 36seg pra mágica dela acontecer em mim.
De novo.