FRANCO

(Otavio Monteiro - @otaviomcm)

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Entro no restaurante. Paro e olho perdido o entorno. Nossos olhares se cruzam e ele acena. Minhas pernas bambeiam.

 

Com passos em falso e tentando me manter calmo, me aproximo da mesa. Já passei por isso outras inúmeras vezes, mas é a mesma coisa. 

 

Me sento. E ele começa a me despir a alma. A cada assunto, uma revelação. A tênue linha entra a amizade e o amor se confunde cada vez mais.

 

Suas palavras arrancam as camadas que tento esconder. Seus argumentos destroem minhas muralhas. Minha alma já é tua, agora me possua.

 

De alma despida, abandono a pose de santo. Encaro-o com franca vontade. Expresso o fogo pelo olhar. Ele entende.

 

Com urgência, pede a conta e vamos. “Você dirige” insisto. Começo o meu jogo. Provoco durante todo o caminho de casa, graças a um sinal queimado: engarrafamento. Momento perfeito para apalpar. Abro-lhe o cinto, o zíper e... aceleramos. Ambas as mãos no volante e cara de paisagem enquanto passamos pela polícia.

 

Caio de boca. Escorre saliva pelas laterais. Engasgo algumas vezes já na quadra de casa. E finalmente a sobremesa. Com o portão se abrindo, se encerra mais um de nossos encontro e começa uma das nossas loucas aventuras.