ENTRE IDAS E VINDAS

(Fabio Augusto - @oscontosdeumamenteinquieta)

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Diariamente Cláudia saí da sua cidade em direção a capital paulista, ela é uma profissional de finanças, tem um bom cargo em uma grande empresa e, apesar dessa rotina de idas e vindas, sempre sobra um tempinho pra uma corrida, pra cuidar da sua beleza e ter sua vida social.

Morena clara, de lindos e volumosos cabelos crespos, ora com eles para o alto, ora trançados, ela tinha total segurança de ser quem quisesse, exalava segurança, firmeza e uma sensualidade que a destacava em meio a tantas funcionárias naquela empresa. Apesar dessas qualidades, estava solteira e muito tranquila com isso.

Todos os dias era o mesmo caminho e sempre as mesmas pessoas, principalmente ele, Wagner. Um cara quieto, que sentava no banco exatamente atrás do banco de Cláudia (esse fato sempre mexia com o imaginário dela). Ele era branco, de cabelos lisos, quase um chanel, era engraçado e charmoso. Devia ter seus 1,75, mais alto que ela. 

Ele já estava no ônibus quando Cláudia entrava, às vezes já dormindo para a viagem, às vezes acordado, trocas de olhares, bom dia, posso abaixar o banco, eram as frases mais ditas entre ambos, todas as manhãs. Na volta, poucas palavras também, era difícil estabelecer uma conversa mais longa, os lugares eram marcados, não coincidia de sentarem juntos e isso dificultava a vontade de Cláudia se aproximar.

O primeiro contato de verdade demorou alguns bons dias para acontecer, um trânsito infernal forçou o diálogo: - Hoje só chegamos amanhã em casa né - Disse Wagner. - Vou perder minha corrida noturna - Cláudia respondeu. A partir daí o papo fluiu, conversas em tom de curiosidade, onde você trabalha, qual sua idade, essas perguntas de quem parece estar preenchendo cadastro do bolsa família.

A pergunta que causou calafrios: comprometida? Ela: - não, já ele: - casado. Cláudia recuou na hora, Wagner percebeu e tentou deixar a conversa leve, mas acabaram terminando aquela viagem de ida ao trabalho um tanto tensos, ela decepcionada, mas logo tratou com mais naturalidade. A volta naquele dia também estavam juntos, no mesmo banco. Seguiram a conversa e terminaram o dia com um beijo no rosto e um leve escorregar de mãos dela pelo peitoral um tanto trabalhado dele.

Cláudia tinha um lado que quase ninguém sabia: tinha um lado totalmente erótico, sensual e demasiadamente sexual. Ela sabia separar desejos físicos de sentimentos. Ela percebeu a te(n)são no ar nas conversas que seguiram os dias, Wagner virou seu colega de banco e com o passar dos dias foram criando mais intimidades. Ele sempre era só elogios, falava bem das mãos e ainda melhor da boca de Cláudia.

Era uma véspera de feriado, o ônibus veio e voltaria bem mais vazio que o normal, Cláudia estava cheia de boas intenções, sabia que a viagem seria longa por conta do trânsito. Chegaram para trabalhar, um beijo de canto de boca proposital, te vejo mais tarde, ela disse. Wagner ficou sem ter o que falar e quando pensou na resposta, Cláudia estava longe já.

A hora da volta chegou, Wagner subiu depois, procurou Cláudia nos bancos 15/16, mas ela estava, estrategicamente nos bancos 41/42, os últimos. Wagner caminhou sem muita firmeza, ele tinha atração demais, Cláudia tinha um corpo atraente, sempre cheirosa e, naquele dia, estava com roupas mais leves que o normal, destacava suas curvas.

Sentou-se ao lado dela naturalmente, mas tremia de tensão. Cláudia riu - Bobo, ela disse. Iniciaram a viagem de forma descontraída, mas ela colocou o plano em ação. - Reparou no meu esmalte de hoje, vermelho fogo, pra combinar com o batom que passei para poder te ver. Wagner sentiu seu corpo vibrar, percebeu que estava ficando excitado e, sem tempo de se manifestar, Cláudia o beijou intensamente, ele tentou resistir, mas não se esforçou nem um pouco para fazê-la parar.

O beijo tirou o N e não havia outra coisa que não fosse o tesão, estavam praticamente sozinhos no ônibus, três ou quatro sentados do meio pra frente. Dos beijos, as mãos, Cláudia sabia do fetiche dele por suas mãos e passeava pelo peito, pela perna dele, ele se contorcia e já estava totalmente enrijecido por baixo do jeans. Ela agarrou o pau dele por cima da calça mesmo, punhetou até quase ele não aguentar. 

Ela deixou que Wagner recobrasse a consciência, eles sequer haviam saído da marginal, a viagem estava apenas começando. Ele se soltou e passou a acaricia-la com fervor, aperta suas pernas, protegidas por uma saia de pano leve, a parte interna das suas coxas em meio a beijos ainda mais quentes. Ele se posicionou de maneira que sua mão pudesse tocar os lábios de Cláudia, percebeu que a calcinha era mínima, não bloqueava nenhum acesso, colocou de lado, um, dois dedos, carinhos leves sobre o grelo, introduzia calmamente para que ela pudesse sentir cada movimento. A tocou até ela não resistir e ter um orgasmo em suas mãos.

Cláudia colocou seu lado pervertida em ação e assumiu o controle: abaixou a calça dele e o chupou, ele tinha razão ao elogiar a boca dela, além de ostentar um lindo sorriso, fazia um boquete maravilhoso. Wagner arfava, ofegante, suava, todos os sentidos aguçados, ele era um juvenil sendo iniciado por aquele furacão.

Cláudia se arrumou no colo dele, colocou a camisinha nele e sentou, deixou que o pau a penetrasse lentamente, até engolir todo ele. Ela sentava com força, rebolava, deixava os seios passearem pela boca de Wagner, ele chupava, mordia os mamilos, isso a enlouquecia ainda mais. O balanço do ônibus já em alta velocidade na estrada ajudava na sentada e acabaram por explodirem em gozo, um grito ecoou pelo ônibus, mas não houve quem ouvisse, todos dormindo no percurso de quase 3h de viagem. Cláudia estava trêmula, Wagner já caído para o lado, literalmente, mas ambos com um sorriso no rosto e muita satisfação com aquela viagem.

Chegaram ao destino, um novo beijo de canto de boca, um até segunda, bom final de semana. Chegou segunda e Wagner não subiu no fretado, terça, quarta, sem mensagens, sem contato. Cláudia descobriu que Wagner havia se demitido do emprego na capital, estava de partida para o RJ com a esposa.

Cláudia pouco se lamentou, sabia que não teria nada dele, afinal, ele era casado, mas ela ao menos não deixou escapar a chance de viver aquela aventura.