DID IT AGAIN

(Laís Leite - @laiisleitte)

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Não sei o que deu em mim. De repente, eu precisava sair dali. Eu precisava ir, mesmo estando embaixo de você. Mesmo meu corpo pedindo que eu ficasse a noite toda. Mesmo que minha boceta estivesse encharcada, começando a molhar sua cama. Nunca foi simples com nós dois. Sempre houveram externalidades que fugiram do nosso controle. Mas você sempre me assustou com seu carinho. Com sua necessidade de me abraçar, me beijar de forma carinhosa, me fazer rir, ficar agarradinho. Colocar música, deixar o quarto escuro. E você me assustou de novo. Eu fui esperando só sexo. Era só o que eu queria. Eu só precisava encerrar um ciclo. Um ciclo sexual, que sempre me tirou o fôlego. Você sempre foi o amor da minha cama, sabia? Você foi um dos raros que me encantou - na cama e fora dela. Mas os sentimentos sempre foram confusos. Me peguei fazendo perguntas a você que eu não fiz nem enquanto estávamos juntos. Me peguei sentindo falta de você cantando no meu ouvido, me peguei sentindo falta de como você olhava pra mim. Você me tratou como se tivéssemos juntos. Sempre me convenci que isso era impossível, caso nos reencontrássemos, que você sempre me veria como alguém distante, que era algo que não envolveria sentimento. Afinal, você mesmo disse que "eu não me apaixono por ninguém." Também pudera, você só conheceu minha versão solteirona, desimpedida, livre de quaisquer amarras. Alguém que conhecia o amor como dor e, por isso, não queria se envolver. Mas tesão? Só vem. Vem com força, puxando meu cabelo e batendo na minha bunda, arrancando minha roupa e me jogando na sua cama. Sempre fui mulher guiada pelos meus desejos - sexuais ou não. Vivendo ao meu próprio bel-prazer. Você sempre me fez gozar com uma maestria que eu nunca soube explicar ou entender. Eu queria você. Eu quero foder com você. Foder até de manhã. Gritar, gemer, devolver os tapas, ficar roxa, com a sua mão tatuada na minha bunda, seus dedos também marcados na minha cintura. Mas algo me travou. E eu senti a necessidade de fugir, fazendo jus à covarde que sempre fui. O misto de sensações foi demais. Você me pedindo para que não fosse uma despedida, perguntando se eu queria que você me fodesse, dizendo que gostava de mim, que queria estar comigo ali... Tudo me subiu a cabeça e eu precisava me afastar de tudo. Eu nunca tive autocontrole quando se tratava de você - talvez o problema fosse exatamente esse: você sabia e sempre me arrastava de volta para seus lençóis, suas mãos, sua boca… E eu me via presa ao teu canto de sereia, mais uma vez, mais uma noite…